domingo, 4 de agosto de 2013

ANALISE DOS LIMITES DA PRODUÇÃO APLICADOS Á AGRICULTURA PORTUGUESA

JUCA TURA CO 
ALBERTINO YALA

Foi efetuada uma análise dos limites da produção aplicados à agricultura portuguesa através da PAC, para determinar o grau em que são restritivos. Atualmente são aplicadas limitações da produção praticamente em todos os sectores, mas as mais sensíveis são as que se aplicam ao sector das culturas arvenses (cereais/oleaginosas/proteaginosas), às vacas em aleitamento, aos bovinos machos, ao leite, ao algodão, ao açúcar e ao azeite. No sector das culturas arvenses, os limites da produção são aplicados em todo o país, através de limitações das superfícies e de rendimentos de referência. No que se refere à superfície, aplicam-se atualmente limites da superfície de base, da superfície de base de regadio e da superfície máxima garantida, para o trigo duro. De acordo com os pedidos de pagamentos de 2002/03, as superfícies para que foram pedidas ajudas são inferiores ao nível máximo da superfície de base, bem como ao da superfície de base de regadio. No caso do milho, a superfície de base é de 221 400 ha e a superfície para a qual foram apresentados pedidos é de 190 632 ha. Além disso, não foi ainda utilizada até à data a reserva de 60 000 ha prevista no âmbito da Agenda 2000 para as novas superfícies de regadio. Pode concluir-se,portanto, que atualmente esses limites máximos não são restritivos.
 No caso da carne de suíno e de aves, uma função de oferta em que o preço anual (com 1 período de atraso, para o caso dos suínos) e o preço do milho são as variáveis explicativas permitiu obter bons resultados. No caso das outras carnes, não foi possível determinar uma função de oferta adequada.
No caso do trigo duro, a situação é menos clara. Foram apresentados pedidos para 189 632 ha, quando a superfície elegível é de 118 000 ha, ou seja, uma ultrapassagem de perto de 60%, que desencadeou uma redução proporcional do montante do suplemento ao trigo duro. Para pôr em perspectiva esta ultrapassagem, recorde-se que a superfície elegível aumentou de 20 000 ha, em 1993, para 118 000 ha, no âmbito da Agenda 2000.  âmbito do regime de ajudas às culturas arvenses, a superfície de base foi sistematicamente subutilizada, tal como se tem verificado sempre desde que o regime começou a ser aplicado, em 1993. Em todas as campanhas de comercialização do período de 1993- 2002, entre 10% e 25% das superfícies elegíveis não receberam ajudas, devido ao fato de não terem sido apresentados pedidos.
Observe-se também que em Portugal o rendimento de referência foi estabelecido em 1993 a um nível que permitia futuros aumentos do rendimento. Até à data os rendimentos efetivos têm sido inferiores ao rendimento de referência e atualmente o rendimento de referência é superior em 20% ao rendimento efetivo. Finalmente, registou- se um aumento significativo das superfícies retiradas da produção, que atingiram em 2002 22% da superfície total; a taxa de retirada de terras da produção foi significativamente mais elevada no Alentejo e no Algarve, ao mesmo  tempo que as superfícies forrageiras que beneficiam de ajudas estão a diminuir. No que se refere ao sector da carne de bovino, no âmbito da Agenda 2000 o número de prémios foi reduzido em 3% em Portugal, em comparação com 5,5% para a EU no seu conjunto. O limite máximo do número de prêmios às vacas em aleitamento é atualmente de 277 539 cabeças (sem os prémios à reconversão). Foram apresentados pedidos para 279 819 cabeças, uma ultrapassagem de menos de 1% que é conforme com a tendência verificada em quase todos os Estados-Membros, se bem que em Portugal a diferença entre o número de direitos ao prémio e o número efetivo de animais seja mais elevada (21%) do que a média da UE (10%).Em 2002 o limite máximo para os prémios aos bovinos machos estabelecido para Portugal era de 160 720 cabeças (sem os prémios à reconversão) e foram apresentados pedidos para 175 047, uma ultrapassagem de 9%. Em 2001/02 a quota leiteira portuguesa de 1 861 171 t foi excedida em muito pouco, por uma produção de 1 862 625 t. Porém, de acordo com a decisão do Conselho Europeu de Nice, a quota leiteira de 73 000 t dos Açores não foi tida em conta, pelo que até à data não foi paga nenhuma imposição suplementar. Esta derrogação especial acabou em Abril de 2003. Portanto, de futuro Portugal deverá pagar a imposição suplementar se exceder a quota. Em 1991 a quota foi fixada a um nível superior em 25% ao do consumo e atualmente a manteiga é objeto de uma intervenção quase permanente. A quantidade máxima garantida de algodão fixada para Portugal é de 1 500 t, mas a produção anual ainda não atingiu esse nível. A quantidade máxima garantida para o azeite português são 51 244 t e a produção também não atingiu nunca esse nível.
A quota total de açúcar para Portugal Continental é de 69 718 t (A+B) e em 2002/03 a produção foi de 78 000 t. As quantidades que excedem a quota (açúcar C) transitaram para a campanha de comercialização seguinte. Nos Açores, a quanta é de 9 953 t e a produção em 2002/03 foi apenas de 620 t. Uma vez que ao longo destes últimos dez anos raramente limitaram a produção, instrumentos de gestão da oferta setorial como as superfícies máximas garantidas, as quotas, os limites máximos nacionais e regionais, etc., contribuíram pouco para cercear o desenvolvimento da agricultura portuguesa, se bem que, nos últimos anos, as autoridades portuguesas tenham manifestado o seu receio de que essas limitações estejam a desempenhar um papel mais importante do que no passado.
Referencias
eurostat,income from agricultura atectivo(2001 edition
para sau; agricultura estatístico(aurastat)
inquérito é estrutura das explorações agriculturas(aurastat)

inquérito estrutura das explorações(agricultura)

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